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Jiu-Jitsu

Como o jiu-jítsu salva uma vida?

Atleta profissional, professor Danilo Torres dedica sua vida à arte suave depois de ser salvo da depressão por ela

Como o jiu-jítsu salva uma vida?

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Quer ler uma verdade repetida, porém ainda ignorada? Lá vai: vida de atleta profissional não é fácil. Contudo, se engana quem acha que competir profissionalmente é puramente uma escolha. Uma prova disso é a trajetória do paranaense de coração goiano Danilo Torres, que se dedica ao jiu-jítsu para custear sua participação no circuito competitivo pelo Brasil.

Mesmo assim, nada está garantido para o professor que teve sua vida salva pela arte suave. Sem suporte financeiro apesar do bom desempenho nas competições, ele precisa contar com o apoio informal de amigos, alunos e admiradores do seu trabalho para organizar rifas e levantar fundos. Mas como o jiu-jítsu salva uma vida?

Salvo da depressão pelo jiu-jítsu

 

O primeiro contato de Danilo Torres com o jiu-jítsu se deu ainda em 2003, mas não passava de um hobby. Na infância, o paranaense via o tio competir no judô e sonhava em ser como ele, porém foi ao se deparar com a figura de Wallid Ismail em um desses cadernos escolares com temas de artes marciais que o processo realmente começou.

Cheio de marra, Wallid fez história no jiu-jítsu e no MMA, alimentando uma eterna rivalidade com Royce Gracie - membro da família mais tradicional da arte suave no Brasil e no mundo - e fundando mais tarde o controverso e bem-sucedido Jungle Fight. “Fui pesquisar sobre ele e virei fã. Geralmente a galera começava a treinar por causa do Royce Gracie, já eu comecei por causa de seu maior rival, Wallid Ismail”, conta.

 

+ Os melhores atletas do combate goiano em 2019

 

Apesar de tudo, o potencial competitivo de Torres seguia adormecido. Foi quando um quadro grave de depressão se abateu sobre ele que o jiu-jítsu mudou sua vida e passou a fazer parte de sua rotina. “Saí de um emprego em uma multinacional e me afundei na depressão, trancado em meu apartamento, ficava dias sem sair de casa. Já estava a mais de cinco anos afastado dos tatames e cheguei a pesar 138 quilos. Então, por acaso, reencontrei um professor que é goiano. Ele viu minha situação e praticamente me obrigou a voltar aos tatames. Daí pra frente costumo dizer que o jiu-jítsu salvou minha vida”, relembra.

Coração no jiu-jítsu goiano

 

Depois de recuperar a vontade de viver nos treinos da arte suave, Torres perdeu 30 quilos em poucos meses e voltou a competir. Mesmo assim, os resultados dos campeonatos estavam abaixo do que ele acreditava ser capaz de alcançar, foi quando ele resolveu vir a Goiânia para um intensivo com o mestre Fernando Boi.

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A ideia era passar 20 dias na capital goiana, mas depois desse período o paranaense já estava fisgado. Seu novo olhar para a vida conquistado no jiu-jítsu pedia também novos ares e ele só voltou ao Paraná para vender o que havia deixado para trás, sendo acolhido pelo novo mestre e passando a viver em um quartinho na academia.

Para Danilo, era momento de correr atrás do tempo perdido. “O mestre Fernando Boi me fez ficar ainda mais apaixonado pelo jiu-jítsu, mas vi que meu nível estava muito abaixo do que eu precisava para poder competir”, avalia.

Desafio diário como profissional

 

Hoje, além de competir em alto nível Danilo também atua como professor, mas como dito no início essa não é exatamente uma simples escolha. Sua trajetória pessoal tratou de selar uma relação eterna com o jiu-jítsu.

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A rotina de preparação para os campeonatos exige três treinos diários divididos entre técnicas e manutenção de condição física cinco dias por semana. O maior desafio, no entanto, segue fora dos tatames e academias: a falta de apoio.

Danilo explica que os grandes eventos do jiu-jítsu ainda se concentram em São Paulo e que a atuação como atleta de alto nível não é uma atividade sustentável. “A grande maioria tira dinheiro do bolso pra poder competir e, mesmo assim, muitas vezes o retorno financeiro das competições é muito menor que o valor investido”, lamenta enquanto enumera a necessidade de arcar com passagens, inscrições e hospedagem além das demais despesas.

Vivendo da arte suave, o paranaense de coração goiano tenta manter-se presente no circuito nacional. Ainda assim, nem sempre é o bastante. “Vivo integralmente do jiu-jítsu. Dou aulas pra poder me manter, mas fica pesado tirar do meu sustendo pra poder ir competir. Por esse motivo muitas vezes deixo de participar de eventos”, lamenta.

O desafio mais recente do representante do jiu-jítsu goiano é viabilizar o roteiro de competições que começa nesse fim de semana (18 e 19 de maio) com o Sul-Americano de Jiu-Jítsu Esportivo. Na sequência, Danilo Torres se foca no Brasileiro (de 14 a 16 de junho) e finalmente no Mundial (25 a 28 de julho). Todos acontecendo em São Paulo.

Mesmo sendo semelhante à realidade de muitos que se dedicam ao esporte, a história do professor de jiu-jítsu serve de modelo para muitos. Se você quiser acompanhar mais de perto é só segui-lo no Instagram, onde também é possível entrar em contato com ele e contribuir de alguma forma. Comente aí o que você achou da história e siga @pracaesportiva, assim você não perde nenhum conteúdo!

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